então, ela de novo...

A principio eu não deveria estar escrevendo sobre coisas que não conheço, ou que vivi poucas vezes e certamente sem toda a intensidade com que são descritas pelos quatros cantos do mundo.

Paixão...



Mas o que seria isso mesmo?

Por favor, não quero mais ouvir aquelas frases feitas em dicionários amorosos ordinários, nem tampouco conselhos do tipo: “tempo ao tempo”, “pessoa certa”, “destino”, “fraquezas do coração”, “coisas imprevisíveis”, “vírus passageiro”, “amor veloz”, etc.

Quero saber qual é a base desse sentimento, mas a base comum a todos. Ou melhor queria saber, pois cada um sabe (e têm) o seu motivo particular.

Tipo: “me apaixonei pelo seu jeitinho de falar”, “pelo seus olhos”, “cabelos”, “bunda”, “tesão”, “inteligência”, “todo o conjunto”, “falta de conjunto”. Ou seja, milhares e milhares de aspectos ou momentos convenientes.

* Essa dos momentos convenientes foi interessante. Talvez eu fale sobre isso em outro mês *


Então tá, quero saber o motivo (default, e não particular). Existe?

Creio que sim. É simples: Desejo...

...que sempre anda ao lado do Ego.

Ego que faz desejar algo para si. Pouco importando se a outra parte tá afim ou não. Até aqui nenhuma novidade. Mas o que acontece quando alguém consegue repartir o Ego em pedacinhos e consequentemente o Desejo?

Resposta: o efeito, (sentimento, ou sei lá o que seja) paixão fica repartido tmb.

Eu fujo de explosões emotivas. Se me apaixono? Sim, constantemente, porém creio que não com a intensidade com que dizem que ela ocorre.

Não, não é por trauma, nem pela minha conhecida desconfiança e nem pelo instinto de sobrevivência.

“Então não é paixão”

Bem, eu creio que sim. Pois essas minhas pequenas quedas (fazendo uma analogia ao fall in love do maldito english) são todas movidas pelo Desejo, portanto são paixões sim, porém, pequeninas... iguais a peças de um quebra cabeças de mil partes.

Na maioria das vezes se uma não encaixar com a outra pra formar um quadro maior e talvez mais forte, aí babau! O caso fica ligado a um aspecto só, a um sentido ou momento.

Pois bem, com o caso ficando ligado a só um aspecto, sentido ou momento, dificilmente ele evoluíra para algo mais palpável. Como uma relação por exemplo.

Tal quebra cabeça não é tão difícil de montar, o problema é se no inicio da montagem houver alguma quebra. Que irônico! Um quebra cabeças incompleto por causa de uma quebra.

Tal quebra pode ser bem variada: falta de entendimento, falta de “coisa de pele” (sexo em alguns casos), e a mais perigosa: TRAIÇÃO.

Alguns já argumentaram que para abandonar esse risco de quebras seria preciso “cair num abismo” por vontade própria. Até já escreveram sobre isso com muito mais propriedade aqui.

Eu acredito no sentido do “cair no abismo”, acredito tmb no “não existe pessoa certa” e até no “se não tentar, nunca via saber”. Mas acredito mais ainda no que meu Ego diz, e infelizmente ele não se pronuncia há muito tempo. Talvez esteja acostumado a funcionar de maneira repartida...

Portanto, é complicado pra mim querer algo na marra ou suprir alguém com sentimentos que não possuo. Não saber o que quero não é mais problema, o problema é ter o que quero e a partir daí tentar conciliar o Desejo com o Ego. Soa egoísta não?

Sim, mas creio que para poder gostar de alguém, antes é preciso estar em paz consigo mesmo. E invariavelmente o Ego entra nessa. Querendo ou não ele faz parte, seria hipocrisia dizer que não.

Que fique claro que estou falando de paixão (coisa que pouco conheço) e não de AMOR (coisa que conheço menos ainda). Amor, segundo o que dizem é entrega, logo, essas minhas variantes malucas não se aplicam a esse sentimento.

Sabe o que é mais engraçado (ou trágico)?

É que toda essa verborragia, essa vã tentativa de explicar sua condição, todas essas nossas verdades absolutas e ideais baseados em teorias próprias...

...caem por terra com um simples olhar, sorriso ou gentileza.

Isso é o mais bonito. É o que dá esperança...


O resto... Ah! O resto que venha, mas se não vir vou continuar a ir busca-lo.

E citando o titulo do link que deixei parágrafos acima: “um email que lhe enviei”.

Lembrei de uma frase que coloquei num e-mail de mesma natureza, que enviei há algum tempo:

"Em outros e-mails e palavras, vc sabe o quanto esta sendo especial pra mim.

Eu sei que sou complicado. E isso não vai mudar até que encontre alguém que me entenda

Eu sei que vc não gosta de mim da maneira como eu gosto de vc. E isso não vai mudar até que eu encontre alguém que goste de mim...

Eu sei que estou sendo chato. Er... bem... isso seria muito difícil de mudar, hehe!

Eu sei que vc tem ideais bem diferentes dos meus...

O que mais eu sei além destas coisas óbvias? Bem...

... só que nossos apelidos ficam bonitos quando feitos de palito!"


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