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Os escritos - parte 2

Uga Buga
Texto retirado do Hobbit Inútil

A idéia surgiu quando ele estava em um desses hiper-mega-supermercados
gigantescos, lotados com uma infinitude de coisas pra comprar e
pessoas mal-educadas. Depois de quase ter seu pé esmagado por uma
velhinha e depois de ficar barrado em um corredor por dois pares de
donas de casa que conversavam animadamente sobre o preço do papel
higiênico, ele fez as contas na cabeça: somou os prós e contras e viu
que realmente compensava mandar tudo às favas e ir morar longe da
civilização. Ele ia pegar o carro e se mandar pra alguma floresta e se
tornar o novo George of The Jungle. Adeus, trabalho! Adeus, gente
estúpida! Adeus, cidade do inferno! Adeus, responsabilidades!

Aí ele se lembrou de todas as vezes que ele foi, por um motivo ou por
outro, para qualquer lugar longe da civilização. Quando ele ia pro
sítio do avô ele ficava trancado no carro, ouvindo o rádio. As
excursões ecológicas eram um desastre. Enfim, ele não era um homem que
gostava de estar em contato com a natureza. Caçar sua própria comida,
colher frutas nas árvores e tal eram belas idéias no papel. E se
limpar com folhas de árvores não era uma boa idéia em nenhum lugar.
Ele podia se afastar da civilização, mas não viveria sem papel
higiênigo. E onde ele arranjaria papel higiênico. Foi quando ele se
deu conta que estava na seção de papel higiênico. Uma montanha de
papel higiênico se estendia à sua frente, imponente, alta, branca e
fofinha.

Ele começou a tirar a roupa ali mesmo. Estava só de cuecas quando
apareceu uma velha procurando papel higiênico com cheiro de flores
campestres. Ali, do lado do papel dupla folha alaranjado. Isso, esse
verdinho. De nada. Ok, agora ele iria tirar a cueca e...não, melhor
continuar com a cueca. Foi até a parte de cosméticos femininos, abriu
os cremes até achar algum avermelhado. Pintou o rosto de forma tribal
e primitiva, como um moleque de prezinho. Precisou abrir alguns outros
potes pra fazer alguns desenhos com o creme no peito e na barriga.
Estava coçando, mas ele não devia se importar. Aqueles desenhos
simbolizavam alguma coisa importante que ele não lembrava agora. Uma
arma. Algo para usar em suas caçadas e para se defender de invasores e
predadores. Foi até o utilidades domésticas e pegou uma faca de pesca.
Sempre quis ter uma dessas, mas ele nunca pescava. Pegou uma vassoura
e retirou a parte com os pelos. Como se chamava aquilo? Bah, tarde
demais, ele não devia mais se importar com a língua do povo
civilizado. Ele deveria ter seu próprio dialeto, e talvez devesse até
usar estalos de língua para se comunicar. Estalos de língua eram
legais. Tinha uma tribo africana que se comunicava através deles, o
Discovery Channel fez um documentário sobre eles. Ok, sem mais
pensamentos civilizados. Começou a afiar a ponta do cabo de vassoura.

Ninguém realmente olhava pra ele. Acostumados com as mocinhas que
distribuem café, as caixas com chapéu de papai noel na época do Natal
e os idiotas fantasiados de algum produto idiota que não estava
vendendo muito bem, as pessoas já esperavam encontrar alguma coisa
ridícula quando entravam no supermercado. Ele tinha de disputar a
atenção das pessoas com, por exemplo, a velhota que estava impedindo o
trânsito no corredor. E quando se está fazendo compras, que se foda o
idiota de cuecas sentado no chão afiando uma lança: quero mais saber
qual o problema com essa velha que não sai da minha frente, pois eu
preciso pegar a porra do desinfetante!

Pronto, agora ele tinha uma lança. E estava pintado. Um aborígene
completo! E agora...e agora...o que faz um aborígene? Basicamente,
eles caçam, colhem, vivem em suas cabanas, dormem, fazem suas
necessidades...uma vida simples e sem complicações, que ele iria
aprender a viver. Os primeiros meses foram os mais difíceis, como em
todo processo de aprendizado por tentativa e erro. A cabana foi
construída com caixas de leite longa-vida amontoadas, e coberta com
algumas capas de chuva. Papel de higiênico não era uma boa opção, ele
havia aprendido. Desaba com facilidade. A posição da cabana gerou
alguns problemas também. Na seção do leite ele era importunado por
velhinhas que precisavam de ajuda para carregar caixas de leite da
prateleira até o carrinho. Na seção de brinquedos as crianças pareciam
não ter medo de sua lança e viviam invadindo a cabana para brincar. A
seção de frios era fria demais, e a de hortifruti estava sempre lotada
de pessoas. Até que ele achou a seção de bebidas e nunca mais mudou a
cabana de lugar. Alimentação nunca foi uma causa de grandes
preocupações. Era fácil conseguir frutas, verduras e legumes em seu
novo habitat. Talvez ele ficasse meio confuso quando pensava se era
correto um aborígene comer cheetos e bolachas de chocolates, mas ele
julgava que essa confusão era um processo comum de transição da
civilização para...para esse modo de vida que ele estava vivendo. E de
qualquer forma ele não devia pensar muito. Era mais importante
sobreviver. Com uma caixinha de palitos de fósforos, o novo aborígene
descobriu o fogo. Com o saco de carvão e o pedaço de picanha maturada,
ele descobriu que podia invocar a chuva que cai do teto e os
bombeiros. Ele ficou bastante desanimado com a dificuldade em assar
carne, mas logo ele descobriu que haviam misteriosas caixas brilhantes
que assavam frango perto do açougue, e nunca mais teve problemas com
falta de proteína animal.

Nota: é preciso dizer aqui que certas vezes
ele atraía a atenção da multidão consumidora. Quando o chamado da
natureza chegava, ele pegava um rolo de papel higiênico e se dirigia
para a seção de hortifruti para se utilizar da barraquinha de alface.
Isso causava muita revolta e enjoô nas donas de casa que não
conseguiam imaginar um almoço sem uma boa salada de folhas, mas com o
tempo ele aprendeu a ser mais rápido do que elas e se desviar das
maçãs que vinham em sua direção.



Por Enrique

Selph - 11:15 AM